Venho aqui pra relatar alguns momentos recém vividos que me fizeram pensar, refletir, analisar ou simplesmente parar de fazer tudo isso. Silenciar para poder ouvir. Ouvir o que o Universo tem pra me dizer... ouvir o que meu coração tem pra me dizer... ouvir o que os pássaros, as flores, as nuvens, a chuva, o sol, o vento... tem pra me dizer... Não tenho ouvido nem a mim mesma. Como posso ouvir o TODO? Pois bem, ou se tira um aprendizado de cada situação ou passa-se pela vida com dor e sofrimento.
Venho de um mês emocionalmente turbulento aonde, todos os dias, pra não dizer todas as horas, minutos, segundos, me questiono em como fazer pra realizar meu sonho que, por mais certeza que eu tenha sobre a validade de sua materialização, as dúvidas são esmagadoramente vencedoras. Essa angústia contínua faz com que meus dias sejam povoados de indecisões, dúvidas, conflitos dos quais tento sair, para os quais tento achar soluções, mas me percebo em um círculo vicioso que muda apenas de tonalidade, porém, a intensidade permanece.
Nesse quadro todo, minha filha adoece com suspeita dessa gripe tão falada e assustadoramente invasiva. Começa um tratamento e eu começo com os sintomas da mesma. Resultado: ambas de ‘molho’ e em isolamento domiciliar por sete dias. Graças aos céus meu filho passa forte e imune. Então... me vejo sem poder sair, meu corpo pede cama, uma tosse infernal invade todos os cantos da casa e minhas aulas e atividades com meus alunos ganham sinal vermelho por alguns longos dias. Porém, incrivelmente diferente de outros momentos da minha vida, aceito essa situação sem tensão, e entrego. Cuido da filha, mas não esqueço de cuidar de mim também. Medito, leio, oro e fico em silêncio. O segredo é não entrar na pressão externa... é se voltar pra dentro e entregar. Confiar. Ou a gente aprende com as situações adversas ou sucumbe a elas.
É... honestamente, acho que eu precisava dessa parada para poder limpar a mente, para terminar de ler alguns livros que comecei e deixei na cabeceira da cama, para voltar a dedicar algum tempo à escrita, colocando em palavras um pouco desse movimento louco que circula dentro de mim... Por incrível que pareça esse momento de ‘reclusão social’ envolto em preocupação e insegurança, passados os primeiros dias, foi e está sendo um momento de reconexão comigo, com minha essência, num espaço aonde minha mente parece ter clareado, arrumado os quartos e limpado a sala de visitas.
Quem dera todos os momentos de tumulto pudessem ser assim: limpei mágoas, desapeguei de sofrimentos passados, reconheci e perdoei pessoas, situações e a mim mesma e, reconhecendo que tudo estava certo e perfeito, me reconectei com Deus e me fortaleci. Então... volto a me ouvir, a me perceber melhor e com isso, posso ousar ouvir e perceber o outro. Nesse momento esvazio a xícara e abro novamente as portas da sala de visitas!

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